domingo, 5 de maio de 2013

QUANDO O FIM PODE SER O COMEÇO.

A difícil aprendizagem do fim.


          Alguns bons princípios podem morar dentro de uma pessoa e fazê-la crescer. E eu não estou falando de crescimento da matéria, da estrutura óssea, do alongamento da coluna até alcançar o teto. Eu estou falando de um outro tipo de crescimento, eu estou falando do crescimento espiritual, eu estou falando do crescimento do espírito, do alongamento do espírito até tocar o céu.
          Para isso existem as histórias ditas e ouvidas por bons contadores. Quando essas histórias chegam até nós, elas dão um laço, nos envolvem a tal ponto que desejamos  não mais parar de ouvi-las.
          É quando o nosso coração canta muito alto a música de duas únicas palavras:
         Mais um. Mais um. Mais um.

         É quando o fim pode ser o começo.

Alguns segredos revelados por Cléo Busatto e o encantamento dos que ouvem tão atentos.
         Quem esteve ouvindo "As Histórias da Cléo", no Espaço Infantil da XVII Feira Pan-Amazônica do Livro, sabe muito bem do que eu estou falando!  


         
     

sexta-feira, 26 de abril de 2013

CORRESPONDÊNCIA COM SELO DO AMOR

 
          Mais uma vez volto à velha casa, no caminho ouço as vozes de outros me chamando. Antes de nascer, devo ter pedido a Deus para ter olhos que se voltam aos outros e ouvidos para ouvi-los, por isso me fez poeta com ouvidos tão grandes e olhos bem maiores, como uma pintura de Picasso.
           E os registros dos outros saem escritos no casco de um Caracol:
 
WC: MASCULINO-FEMININO
Pouco sei sobre o amor. Apenas lembro-me que o temia e o procurava.
 
          Nunca houve homem igual a Chaves. Ele lavava a louça depois do almoço. Alvejava as nossas roupas brancas e, passava também. Não me dava trabalho, o Chaves. Recolhia o lixo no final do dia. Quando o sol estava a pino, fechava as cortinas para a claridade não entrar. Chaves gostava de obscuridade. Fazia bom uso do inglês que aprendera na escola pública, quando eu esbravecia, me chamava de my little girl.
          Eu devo dizer que meu vizinho Wagner, se contorcia todo para assistir, da janela, o espetáculo da nossa felicidade.
          Wagner, meu vizinho, era jovem e forte como um búfalo. Wagner era um búfalo criado em academia, mas sempre que cuidava do jardim da sua casa, era confundido com as flores.
          Eu não entendia as iniciais W.C na bicicleta motorizada do meu vizinho Wagner.
          Um dia cheguei em casa para o almoço, com o sol a pino, vi todas as cortinas abertas e na mesa um bilhete de Chaves: my little gilr, hoje decidi seguir montado na garupa da bicicleta motorizada do Wagner e, saímos na claridade do dia. Quero abrir outras portas. Quero ser para ele, o que você foi para mim.
          Diz-se que nesse dia, a bicicleta saiu voando.
                 *******
          Esse é um dos poemas em prosa que faz parte do “Isso não é um livro. Isso é um Caracol”. Autora: Giselle Ribeiro.
          E eu lhes convido para o lançamento no próximo dia 30 de abril, no Ponto do autor da XVII Feira Pan-Amazônica do Livro, em Belém-Pará, às 18h30.

sábado, 23 de março de 2013

A vida NÃO pode ser um sonho

 
          Perguntada pelo seu “outramento” se sonhava no período solar e lunar, a escritora Giselle Ribeiro reage:
          − A vida pede ação, coragem, luta... e tudo isso deve vim com a força do sonho. Eu não costumo dormir para não lutar. Eu sonho de olhos abertos sentindo as vibrações que o sonho me manda. E os sonhos sempre se comunicam com o sonhador. Eu não tenho razão nenhuma para brincar de não ouvi-lo. Mas as mensagens dos sonhos, nós aprendemos mais “facilmente” a ler quando a vida não nos favorece tanto, quando passamos fome, quando a comida é regrada. É nesse tempo que os sonhos se espalham, como plantas rasteiras e onde pisamos, nossos pés tocam notas de uma vida futura mais bela e, quem sabe possível.
            Quando tudo vem facilmente, os sonhos se escondem da gente. Eu estou na outra escala, eu estou na escala dos que dividiram o pão e o peixe. Por isso, eu sonho em tempo integral, no período solar e lunar.
            Mas para que o sonho valha a pena não devemos esquecer que a vida pede ação, coragem, luta!

domingo, 17 de março de 2013

REPRODUZINDO O SOM DO SILÊNCIO



Guardadores da Palavra Poética espalham poesia pelo ar.
 
Palavra de poeta, do livro Toda Palavra:
Palavra nasce no corpo.
Também brota no chão.
Cria raiz e folha e respira.

Na lama palavra ganha antiguidade de pedra.
No varal renova porque perde vício de terra.
Palavra floresce em precipício.
Palavra precisa de adubo de passarinho.

                                                                     p.15

Viviane Mosé entra na minha tela, para lhes contar agora do espaço do dizer as coisas, mas dizê-las sem o senso comum, dizê-las por outra linguagem, dizê-las não da forma que todo mundo diz, dizê-las pelas veias da linguagem poética. Foi assim que Os Guardadores da Palavra Poética invadiram as salas de aula, na manhã do dia 13 de março, e espalharam poesia pelo ar. Parem tudo o que estiverem fazendo, prova, exercícios de linguagem, fonética, fonologia, morfologia e até mesmo o exercício de dormir tem que parar, porque agora a ordem é acordar, porque agora a ordem é da escuta, escuta de uma fala que pede para ser ouvida, acordada, balançada para o exercício do pensar.
É hora de acordar com Os Guadadores da Palavra Poética.
Isso é o que pede o Projeto SAPLI: Sociedade dos Amigos da Prática Literária e é também o que pedem Os Guardadores da Palavra Poética com a exposição “Literatura para acordar o mundo” exposição que permanecerá nos blocos do Curso de Letras até o fim do mês de março.


Depois disso:


Agnus Dei, qui tollis peccata mundi, miserere nobis.


sexta-feira, 8 de março de 2013

PARA NÃO MAIS DORMIR

LITERATURA PARA ACORDAR O MUNDO
exposição

“Eu preparo uma canção
que faça acordar os homens
e adormecer as crianças.”
 
          O silêncio, a cegueira, a monotonia, o marasmo, o sono, o dormir e dormir para não fazer barulho. O silêncio, nos blocos do curso de Letras, fez tanto barulho que despertou o Projeto de Extensão SAPLI: Sociedade dos Amigos da Prática Literária e as Novas Perspectivas para a Formação do Leitor Um Projeto da FALE, Coordenado pela Profᵃ Giselle Ribeiro e que tem se comprometido, dia após dia, com o verbo Literaturar (inexistente nos dicionários), mas compreendido pela Coordenadora do Projeto e seus Voluntários, também chamados de Guardadores da Palavra Poética.
          A profᵃ Giselle Ribeiro, Coordenadora do Projeto SAPLI, ao abrir a sua caixa secreta de memórias, traz para as salas de aula do Curso de Letras, uma atividade perdida, já quase esquecida, o tempo do varal de poesias e juntou outro símbolo nosso para essa prática, a rede. Poesias em roupas no varal, poesias deitadas nas redes para nos manter acordados e ativos, embalados pela memória de tudo o que somos em profundidade.
          Em cada sala de aula dos blocos de Letras, há um autor diferente pedindo para ser lido e para nos fazer acordar.
          A exposição durará todo o mês de março para entrar na vida dos estudantes, professores, zeladores e quem mais quiser ver e acordar.
 
Assinado:Profa. Giselle Ribeiro
Coordenadora do Projeto SAPLI: Sociedade dos amigos da Prática Literária e as Novas Perspectivas para Formação do Leitor e Os Guardadores da Palavra Poética.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

TEMPESTADES DE MARÇO:

         
        Vai chover muito em Belém no mês de março. Vai chover muito na Cidade Universitária Professor José da Silveira Netto neste mês de março. Haverá trovoadas, ventos muito fortes, raios riscarão o céu da Universidade Federal do Pará.
          Se os índios Xucurus ainda aqui residissem, cantariam para apressar a tempestade que vem chegando mansamente.
          Há de crescer o índice de gotas caindo sobre a cidade e seus córregos. Preparemos nossos corpos para o respingar das gotas que o mês de março guarda para a cidade de Belém.
          As pipetas e os pluviômetos perderão sua utilidade, porque neste mês de março há de chover palavras com função poética em estado de denúncia.
         Estou lhes prevenindo, a Universidade Federal do Pará vai receber uma tempestade de denúncias literárias, porque neste mês de março o Projeto de Extensão SAPLI e Os Guardadores da Palavra Poética vão estender as redes nas salas de aula do curso de letras e o silêncio nosso de todo dia vai falar mais alto na voz de Carlos Drummond de Andrade, Jacques Prévert, Hilda Hilst, Ney Ferraz Paiva, João Cabral de Melo Netto, Viviane Mosé, Ferreira Gullar, Paulo Vieira, Mário Quintana, Marina Colasanti, Manoel de Barros e outros companheiros em uma “Literatura para acordar o mundo”.
          Enquanto isso, Antônio Carlos Jobim e Elis Regina cantarolam em um rádio qualquer do planeta:
           “São as águas de março fechando o verão
          É a promessa de vida no meu coração.”

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

RECOLHENDO AS CINZAS DA QUARTA-FEIRA

Família SAPLI ou Os Guardadores da Palavra Poética.
Alguns dias antes do carnaval me perguntou uma aluna:
      − Professora, como a senhora conheceu as teorias da Cléo Busatto?
Eu respondi, não com essas palavras, mas agora é com elas que eu esclareço a sua pergunta querida Rayane:
      − Na passagem de professora de Língua e Literatura francesa para professora de Teoria Literária na UFPA, caiu nos meus braços um programa da disciplina Fundamentos da Teoria Literária e lá, bem dentro daquele monte de conteúdos, uma luz acendeu mais brilhante. Eu estou falando da Literatura Oral que o programa desta disciplina contempla. A Cléo Busatto ainda não estava lá, naquele programa. O nome dela não estava escrito tão nítido naquele programa, mas eu quis ler as outras linhas e foi lá que eu li o nome dela. Depois fui procurar na internet, no youtube algumas propostas para a Arte de Contar Histórias e a Cléo Busatto sempre se mostrava para mim como um corpo, vestido de palavras contadas. E então, foi só dar mais um passo, e outro passo, e outro e mais outro... Descobri a sua pesquisa fantástica e conheci também a sua escrita poética: Pedro e Cuzeiro do Sul, Dorminhoco, O Florista e a Gata, Paiquerê, o paraíso dos Kaingang. O bom de tudo foi sabê-la pesquisadora e praticante da Arte Poética. Assim, a porta de tantos saberes se abria sorrindo para mim. Era a Arte de Contar Histórias sendo plantada dentro de mim. Foi com a Cléo Busatto que eu aprendi a deixar a semente nos que se permitem essa plantação.
Mais tarde, fui lembrando da minha pesquisa no mestrado e a Literatura Oral foi ganhando mais corpo, mais corpo e mais corpo. Quando vi, ela era uma senhora feita de história que se quer falada e ouvida. Passei a acreditar na literatura oral mudando o rumo de algumas vidas, foi quando dediquei meu pensar a um projeto de extensão que ajudasse os alunos do curso de letras a entender tudo isso. Foi assim que nasceu o Projeto de Extensão SAPLI: Sociedade dos Amigos da Prática Literária e as Novas Perspectivas Para a Formação do Leitor. Assim também, veio ao mundo o grupo Os Guardadores da Palavra Poética com a proposta de espalhar literatura pelo ar.
 

Guardadores da Palavra Poética, esse é o meu bloco que veste a fantasia das palavras de alguns textos e sai atendendo aos chamados, contando histórias que o mundo precisa ouvir.

Foi assim Rayane que você nasceu para a literatura oral. Você, uma Guardadora da Palavra Poética que faz a minha casa interior se encher de luz.

 

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

ELES AINDA QUEIMAM LIVROS?

FILME fahrenheit 451 CENA MULHER EM CHAMAS

(pela memória interrompida dos quase 800 mil livros queimados em Curitiba no dia 03 de fevereiro de 2013)

          De lá daquela estrela vermelha, no último dos quatro planetas telúricos no sistema solar, eles ainda se horrorizam com as nossas atitudes, sempre tão bárbaras:

− São tão estranhos, os habitantes daquele planeta!

          Disse uma voz além da Terra. E com pavor nos olhos, lia para o filho jamais dormir, um pouco da história da humanidade. E é assim que a história dos terrestres invade os olhos dos marcianos.

 − Lá, na Terra, dizem, eles levam mais tempo para aprender o que é certo. Eles não reconhecem o bem por capacidade própria. Eles ouvem os seus mandantes e acreditam neles, sem hesitar. Foi assim que ao longo dos anos, eles queimaram livros. Achavam coisa inútil, o livro!

− Mas esse não era o pensamento deles? Pergunta o pequeno marciano, desejoso de ouvir uma história mais bonita.    

− Dentro da cabeça dos terrestres, meu filho, eu te afirmo, havia um buraco, um grande buraco. A cabeça deles era revestida de pele e fios de cabelo por fora. Por dentro ela era completamente oca. Cheia de espaços esperando as ideias dos seus mandantes para ter preenchimento.

− Então para eles parecia um esforço muito grande pensar? E só por isso que eles deixavam essa tarefa para os seus mandantes. Sempre foi assim, meu pai? Ou o tempo e seus homens mudaram?     

− Meu filho, olha naquela direção. A grande bola de fogo subindo vem de um ponto da Terra, vem de Curitiba.  Na Terra, o tempo ainda devora seus homens. Se eu fosse o rei de lá, jogaria todos no Olympus Mons. Só os livros eu deixaria vivos contando o horror dessa história que não deve servir para nada, nada além de cavar tristezas bem fundas dentro dos que na Terra sobrevivem.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

ULTRASSONOGRAFIA DO FILHO QUE EM MIM SE FAZ OU UMA CONVERSA DE ANJO

Ultrassonografia. Na barriga de Giselle Ribeiro mora o mundo.



REGISTRO DA CONVERSA DE MÃE E FILHO:                  

 −Mãe, já estou quase todo formado.
 
  −Sim filho. E o que falta para a tua boa formação na minha gestação?

  −Tenho já o corpo todo bem definido: pés, pernas, barriga, braços, mãos, dedos, cabeça, olhos, boca, nariz... Mas, orelha eu ainda não tenho. E dela preciso para ouvir o que o leitor pensa de mim, se gosta de mim, do que lhe digo ou se não gosta e por que não gosta? Sem orelha como vou ouvir a voz do meu leitor me decifrando em sons que pedem para serem executados?

 −Filho, talvez essa minha gestação dure o dobro de nove meses para o ciclo se completar. Talvez vinte e sete meses, ou trinta e seis meses, quem sabe? Agora sou eu que te digo da paciência e da calma necessária para o teu nascimento.

 −Mãe, fala com a DaniElle Fonseca, a artista visual, a tua Elle. Mãe, pede para Elle cuidar da minha orelha. Afinal, segredar ventos de felicidade e paz na orelha dos meus irmãos fazendo o perfeito complemento para eles, é uma especialidade dela. Eu também quero uma orelha cheia de ventos de felicidade e paz. Fala com Elle mãe! Por favor, diz pra ela que isso é tudo o que eu preciso neste momento. Só não me deixa ir ao mundo sem a audição dos silêncios que pedem para serem preenchidos.

 PAUSA NA CONVERSA DE MÃE E FILHO...

 ...na barriga de Giselle Ribeiro mora o mundo, guardado, enrolado, já quase pronto para vim ao mundo.


                                          

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

ALGUMAS EXPERIÊNCIAS MINHAS SÃO LOUCAS, OUTRAS TAMBÉM.

−Minha mãe, em que tempo eu nasci? Dizei-me depressa por que essa escuridão arde tanto os meus olhos?
          Minha mãe pensou um pouco e fez uma pausa enorme. Melhor não dar asas às loucuras da minha filha. Vou deixar quieto. Articulou minha mãe sabiamente.
          Foi a melhor coisa que ela fez, me deixou falando insistentemente comigo mesma. Depois da ausência de resposta dela, gritei bem no centro do meu porão para ouvir o meu eco. E lá eu ouvi a voz de Giorgio Agamben me dizendo alto algumas frases do seu O que é contemporâneo?
          Agamben nem sabia que iria me falar da escuridão que ardia meus olhos, quando me disse que “contemporâneo é aquele que mantém fixo o olhar no seu tempo, para nele perceber não as luzes, mas o escuro.”
          Então é isso, minha mãe sabe que meus olhos ardem, porque aprendi a fixar o meu olhar no escuro que mora em mim, e por ele ser iluminada.
          Mas isso eu só aprendi com a psicoterapia e com a prática de yoga, as duas me levando para dentro de mim, lá onde parece escuro, elas me entregam um Deus, iluminando o meu porão interior.
          Talvez eu não entenda, com clareza, o que acontece quando eu pratico yoga  ao ouvir voz, no momento de relaxamento, que me chama e me convida a entrar em contato comigo. E o depois disso eu também não sei explicar. Mas sei dizer que uma leveza me mantém no chão, em estado de relaxamento. E outra leveza me faz subir, sair desse chão como se fosse sustentada por uma linha invisível. Depois disso, há um fluxo de energia, quase uma descarga elétrica invadindo o meu corpo, aquele que está no chão, não o que está suspenso. E esse, se mantém flutuando e vendo o outro corpo, o que está no chão, receber a energia. O passo seguinte, posso chamá-lo de frisson, é quando o corpo que está no chão, recebe a presença do Sagrado, bem ali, ao meu lado e esse corpo todo se arrepia...                                                             
 
          É quando eu sei que o escuro vai clarear.
           Mas, para você que não entende o que lhe digo, caro leitor, eu posso dizer Namasté, ou simplesmente, “O Deus que habita em mim, saúda o Deus que habita em você”.

sábado, 29 de dezembro de 2012

AMIGO É INVISÍVEL?


No papel dobrado vários nomes de pessoas conhecidas daquela roda.
     E de repente uma voz anuncia:
     − Vamos tirar o nosso amigo invisível.
     Olhei para todos na roda e tentei NÃO ver alguém para saber quem, daquele meio, era o meu “amigo invisível”.
     Não entendo muito bem certas brincadeiras, mas entrei no jogo apostando que o nome que eu tirasse deveria ser de um amigo e que, embora a brincadeira determinasse “invisível”, deveria ser alguém que nas horas alegres ou tristes, ele apareça diante de mim como um Gênio da lâmpada mágica e me daria a chance de três pedidos, caso eu estivesse triste:

    PEDIDO NÚMERO UM:
● Chorar até secar o poço das águas dos olhos meus;

    PEDIDO NÚMERO DOIS:
● Enfrentar a tristeza com armadura, lança e espada e sair vitoriosa como qualquer herói das antigas histórias ouvidas;

    PEDIDO NÚMERO TRÊS:
● Jogar tudo para o alto e começar outra vez.

     Decididamente o nome dessa brincadeira deveria ser amigo mais que visível. Pois um amigo está sempre, ou quase sempre, pronto a nos cobrir de força e coragem e quando precisamos, ele aparece visivelmente ao nosso lado.
    Pelo menos é assim que acontece com a minha Ciranda de Amigos Visíveis, muito bem visíveis.

      Agora pensando mais um pouco no assunto, invisível deve ser o inimigo, porque nunca se mostra da forma que é.

 

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

E SE DE REPENTE NO NATAL...

E se, de repente, uma porção mágica de Deus ocupasse todos os espaços da nossa cabeça e escorresse até os nossos corações. E assim ficasse, por algum tempo, ocupando os nossos pensamentos e as nossas emoções com um único verbo, relembrando o princípio de tudo?
E se dos olhos das pessoas escorresse esse verbo, das suas bocas saltasse o mesmo verbo, no sangue das suas veias circulasse o verbo prometido?
Se tudo isso deixasse de ser só um sonho e no dia de Natal cantássemos todos, numa só voz, o mesmo mantra?
Deus é amor, eu sou amor.
Se tudo não fosse um sonho, o verbo Amar seria por todas as pessoas conjugado e o filho de Deus, em todos nós nasceria assim, de repente no Natal.
Mas esse foi só o meu sonho que pensei compartilhar. Enquanto isso, a bruta realidade me faz acordar...
 

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

APERTE O BOTÃO QUE A VIDA ACENDE

 
Meninas que sonham ser passarinho e comem ameixa da árvore.
                      
“A vida é assim: aperta-se o botão e a vida acende”
 

Era o começo de novembro, primeiro dia de aula, quando eu levei meus alunos para a Beira do Rio.
A Universidade Federal do Pará, meu porto profissional, fica bem no meio da desaguação do Norte. A paisagem local é linda, mas é preciso saber o que fazer com ela.
E todo início de semestre, é a mesma história, eu levo meus alunos de Teoria do Texto Poético para aprenderem o que fazer com a paisagem de fora e de dentro deles. Lá, nós ficamos de pés no chão, de ouvidos e narinas bem abertos para escutar a cor dos passarinhos. Afinal, foi isso que aprendemos com Manoel de Barros.
Os pés plantados no chão da aluna
E foi assim que fomos para a Beira do Rio fazer umas práticas radicais de esporte poético. E foi assim também, que chegamos ao poema de Apollinaire:


E eles foram para a beira. E eles voaram.


“Venham para a beira.
Não podemos. Temos medo.
Venham para a beira.
Não podemos. Vamos cair.
Venham para a beira.
E eles foram
 E ele os empurrou.

E eles voaram”

Às vezes é preciso sair da beira, às vezes é preciso voar, às vezes é preciso empurrar para a vida se acender.
Eu confesso que vez por outra gosto de sair da normalidade dessa vida, das quatro paredes da sala de aula. Porque andar sempre na linha, cansa a costura da minha pele!

E para você que me lê, nesse momento, eu espero que no Ano Novo você aperte o botão e a sua vida acenda. É só isso que eu desejo para você que agora  me lê.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

FUI TER UM CASO COM A PALAVRA. VOLTO ASSIM QUE PUDER.

Giselle Ribeiro & Cléo Busatto
− Já dá?
− Não. Ainda não dá.
− E agora, dá?
− Agora também não.
− Mas quando você acha que dá para voltar?
− Não sei. Não sei. Deixa eu te contar:

          No começo foi assim, eu fui flertando muito discretamente com ela.
Ela me parecia cheia de curvas e formas em abundância de certeza, às vezes, ela também gostava de manter as certezas todas suspensas.

          Uma verdadeira dama!

Cléo Busatto me ensinado a escutar o silêncio da chuva do Norte.
          Quando eu queria afago, ela depositava em mim um jarro cheio de afago.
          Quando eu precisava de sustentação, ela me colocava no chão.
          Por isso eu quis sair do flerte para Namorar a Palavra. E nosso Caso passou a ser Sério.

          Depois disso, me mandei para Curitiba e a Cléo Busatto, que é mãe da palavra dita e escrita me entregou as chaves e oficializou a relação.

          E de repente – tudo passou. A fome passou. O frio passou. O cansaço também passou. Só meu coração batia compassadamente anunciando o meu Caso com a Palavra.

         Desculpe dizer, sei que vim ter um Caso com a Palavra, por isso namorei e casei com ela.

          E não consigo, não quero, não posso mais voltar.
 
P.S. Texto tecido depois dos dias 26 e 27 de novembro do ano de 2012, período em que fui para Curitiba fazer o Curso de Caso com a Palavra, curso mediado pela Escritora e Contadora de Histórias Cléo Busatto, por quem tenho imensurável orgulho de ser leitora.
          Obrigada Cléo Busatto pelas horas de encantamento.